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quarta-feira, 16 de maio de 2012


AOS VIVOS


RORY GALLAGHER – Irish Tour

Existe uma estátua de Rory Gallagher em sua cidade natal, Ballyshannon, como também existe lá um festival anual em sua homenagem. Esse ano o Rory Gallagher Tribute Festival Internacional acontece entre quinta-feira, 31 de maio, e domingo, 03 junho de 2012. Mas, isso ainda é pouco para ilustrar a genialidade desse guitarrista irlandês.




Além de um estilo próprio, o que não é fácil no universo das guitarras, Rory Gallagher tinha uma técnica apurada, sem ser pomposo, sem ser enfadonho, e, principalmente, sem ser um manézão da guitarra, que despeja trezentas escalas por minuto, quatrocentas alavancadas por segundo e ainda arranja tempo para arrumar o cabelo para foto, tirada por outro manézão da plateia, que balança desesperadamente a cabeça para ver se ela pega no tranco.

Irish Tour é uma das maiores obras do rock. É um daqueles discos que você deve ter sempre dois exemplares para prevenir qualquer imprevisto. Esse, de fato, é um disco vivo, e eterno. Irish Tour foi registrado em janeiro de 1974, com gravações escolhidas dos shows: Belfast’s Ulster Hall, Dublin’s Carlton Cinema and Cork’s City Hall. Em plena forma, Rory Gallagher desfila aqui o seu fraseado energético e seu timbre apologético.




São raros os guitarristas que sabem para que serve o botão de volume da guitarra. Também são escassos aqueles guitarristas que sabem explorar todos os timbres de um amplificador valvulado, e sem precisar de uma parafernália de periféricos e microfones customizados e combinações bizarras e processamentos alienígenas de sinais. Apenas guitarra, amplificador e talento. Rory Gallagher é um deles. Um verdadeiro mestre da pegada. Além de tudo isso, a sua apresentação era incendiária e o seu carisma era um verdadeiro show à parte.

A banda é apresentada logo ao fim da primeira música: “Cradle Rock”, do disco “Tattoo”, lançado em 11 de agosto de 1973. Com Rod De’Ath (drums) Lou Martin (keyboards) and Gerry McAvoy (bass), Rory Gallagher apresenta o seu cartão de visitas em grande estilo, com direito a um solo visceral de slide, em sua legendária Fender desbotada. Esse é o início de uma viagem histórica do blues/rock. O que vem depois é puro sentimento de um autêntico band lead.

A segunda faixa é um clássico de Muddy Waters, iniciado só com a guitarra de Rory chorando a crueza do blues, nessa pequena passagem inicial, é possível você perceber a maestria nos timbres cristalinos de Rory Gallagher, que vai fundo nas válvulas e nos captadores, somente, o resto é pegada, velho. Pegada. Isso é o que faz um guitarrista entrar para a história. Com certeza você já escutou vários solos de blues. O dele, em “I Wonder Who” é seminal. Escute e você será contaminado. Em determinado momento é possível ouvir de fundo um chiado, comum em captadores single coil e amplificador valvulado no talo.



“Tattoo’d Lady” é a terceira faixa, também oriunda do disco “Tattoo”. Esse é um rock’n’rrol básico, cru, daqueles que você lembra a melodia quando está trabalhando e lamenta a falta de tempo ideal para curtir o que há de bom na vida. Não tem como você ouvir essa música de forma impassível. Logo em seguida vem “Too Much Alcohol”, do lendário guitarrista de blues americano J. B. Hutto, outro mestre do slide. Clima imperdível. Claro que Rory apresenta seu slide.

“As the Crow Flies” é uma daquelas faixas acústicas tidas como obscuras, mas que de secundárias não têm nada. Essa é uma faixa emocionante. Toda vez que a escuto eu não me conformo com a morte prematura desse cara. Sacanagem, tanto político calhorda que já devia ter os olhos comidos pelos urubus... “A Million Miles Away” começa com o verdadeiro timbre da Fender, com harmônicos flamejantes e solo inspirado demais.

Também do disco “Tattoo”. Essa é uma balada daquelas históricas. A metáfora de vento e vela é propícia demais para essa faixa. Aqui é possível entender o que esse guitarrista tem de muito especial, o solo explorando o volume da guitarra não é pra qualquer um. É uma faixa que tem uma melancolia inevitável, pela letra, pela melodia e pelas dinâmicas da banda. Estou escrevendo agora profundamente emocionado, ele está à milhas de distância, indo, e eu também. Vou parar por aqui...

Escute o disco todo e não perca a oportunidade de visitar a página oficial desse mestre, que é magistral, com muita informação e muito material histórico: http://www.rorygallagher.com/






Um comentário:

fabio soares disse...

Cara, não tem como negar que Rory Gallagher era um guitarrista de Power blues foda pra caralho!